2
Fev , 2017

Eu. Ele. Nós


Categoria: Textos
O que tiver que ser? Será!

Sentei naquela cadeira e olhei o mar, já tinha perdido as contas de quantas vezes tinha feito isso ao longo do final de semana. O céu azul, a brisa de agosto. Eu, meu moletom e minha caneca de chá. Olhei de novo para a praia, o sol que começava a surgir naquela imensa faixa de areia, somente com a sombra das árvores.Podem me chamar de louca, eu sei que o Brasil é o país tropical e que todo mundo se mata por um lugar ao sol no verão, com caipirinha, água de coco, cerveja, corpos esculturais e camarão a beira-mar. Eu nunca me encantei por isso, eu tenho uma paixão por praia no inverno, cheiro de outono, flores começando a crescer, sol pela manhã e friozinho à noite.  Adoro caminhar bem cedo na areia e voltar o trajeto com os pés na agua. Eu gosto mesmo da calmaria do paraíso às escondidas, de acordar cedinho e observar ainda de pijama o nascer do sol na varanda. Esquisitice é eu sei. Ele também sabia. Olhei para o mar de novo e resolvi agradecer esse último e maravilhoso dia que estava começando. Voltei minha cabeça para o lado, e olhei a nossa cama, tão desfeita e bagunçada da noite passada. Ele estava lá lindo, com os cabelos encaracolados e desarrumados, a boca entreaberta e a respiração tranquila. Fiquei hipnotizada alguns bons segundos por essa cena. Ouso dizer que sorri um pouco lembrando a loucura toda que vivemos nestes dias. Olhei pra cima pensando no sonho, e de novo com os olhos vidrados nele, tenho vontade de repetir cada, mas cada segundo.


Acho que foram tantos os devaneios que acabei derrubando minha caneca, causando um pequeno desastre. Ele pula da cama no sobressalto, peço desculpas e ele ri. Ele vem e me abraça por trás, beija na minha nuca naquele ponto exato, que só ele conhece. Me olha nos olhos, sente minha respiração, e me interroga com o olhar como se soubesse o que estou sentindo. Às vezes me pergunto como ele consegue decifrar tanto os meus pensamentos?


Segundos depois ele pergunta se estou bem, confirmando total a minha teoria de leitura de pensamento. Suspiro de novo e me viro, dou um beijo nele e penso na resposta, não quero parecer frágil, mas como não ser?


“Só não queria que acabasse”, digo quase sussurrando, sonhando que ele não perceba o que esta frase quer dizer. Ele calmamente sorri, e como sempre me responde olhando nos meus olhos tranquilamente. 


 - Não vai, confia em mim.


E como não confiar? Aliás, confiança é algo que eu encontro nele desde que o conheci. Lembro daquele dia frenético. A sala de imprensa lotada, as fãs na porta na porta gritando com faixas e cartazes, querendo um pedaço dele (e como não querer não é mesmo?). Cheguei levemente contrariada, de todas as pautas do mundo, eu detestava as que envolviam histeria. Um ídolo teen, revelação de novela, que canta, dança e está em nove a cada dez propagandas na TV, tudo isso com 28 anos, quais as chances desse “ser humaninho” não ser um potencial egocêntrico e babaca?


Mas estamos em crise, eu trabalho com entretenimento, não tive escolha nem argumentos com meu chefe. Cheguei, e me sentei esperando o pior – querendo que acabasse logo toda aquela gritaria e eu pudesse ir para casa continuar minha maratona de “How to get way with muder”.


Ótimo, olho no relógio pela quarta vez atraso de mais de uma hora. Depois me perguntam por que eu odeio essas celebridades instantâneas. Não tem uma que não apronte essa, é uma falta de respeito tremenda e absurda. Já começa a bater aquela necessidade fisiológica de ir ao banheiro, levanto passo por várias pessoas e chego ao tão esperado banheiro. Percebo que está trancado e acho estranho. Ouço alguém chorar lá dentro, e percebo que definitivamente tem algo errado. Bato na porta, sussurro algumas palavras e logo noto que convenci a pessoa a destrancar a porta. Quando olho pra frente eu quase não acredito no que vejo, lá estava quem todos esperam por mais de 1 hora, seu rosto bom, seu rosto coberto de lágrimas era uma das imagens mais tristes que eu já vi na vida. 


"Só entra, por favor, eu não quero sair ainda." 


Nem sei por que eu entrei, não sei quantos minutos passaram e nem porque eu me encontrava sentada no azulejo gelado de um hotel ao lado de um dos maiores atores do momento, nos olhamos várias vezes nesses minutos. Soltamos algumas poucas palavras. Depois de muito tempo pude entender a sua dor, uma dor de luto e distância a necessidade de realizar o sonho e a falta da família. Me embrulhou o estômago pensar que ele ia sair e ainda ser atacado por uma corja de abutres, prontos pelo próximo erro, deslize e frase mal colocada. 


De novo, eu não sei como isso aconteceu, mas ele estava lá deitado no meu colo, segurando a mão de uma completa desconhecida e chorando, tão frágil, tão pequeno diante de toda aquela imensidão que o esperava. 


Do fatídico dia do banheiro, para o dia de hoje contamos exatos um mês. Saímos sem conversar, depois de ele conseguir meu telefone com sua Assessora de Imprensa e me convidar para jantar como agradecimento, foi impossível desgrudar dos seus olhos. Iniciamos dias de loucura, encontro às escondidas, fugas rápidas de paparazzis. Longas noites de conversas, abraços e segredos. Eu sempre essa tola, indecisa e insegura. Ele sempre certo, convicto e amável. 


Volto a olhar pela janela, enquanto ele toma banho - sorrindo de novo - essas memórias só me fazem sorrir e sorrir. Isso é normal? Lembro da ligação recebida há dois,  ele mandando eu preparar uma mala que em 30 minutos chegaria. Tenho vontade de dizer que ele está louco - como? Pra onde vamos? Ele só ri, aí que nervoso! Preparo tudo, ele chega ao meu apartamento de carro, sozinho, sem empresário, assessor ou segurança. Abro a porta e o encontro com o rayban de sempre e uma covinha no rosto, ele me beija e revela. 


- Espero que esteja pronta, porque eu vou te sequestrar


E assim, iniciou esse final de semana, um chalé, uma praia deserta, nossa cama, muito brigadeiro de panela, e comida congelada. Só eu ele, ele e eu


Ele sai do banheiro enrolado na toalha, me encontra todo molhado e cheiroso, me abraça e inicia um simples beijo. Que brincadeira né? Com a gente nunca é um simples beijo. Deitado depois de tanto e muito, das horas juntos o celular dele toca - ele conversa, discute um pouco - e logo volta olhar pra mim.


- Realidade chamando?


 Ele se limita a responder com um "yep". 


- Tenho medo.


Insisto em dizer enquanto ele continua a me acariciar (esse menino não tem sossego não?). Ele me vira, me prende entre as pernas, olha nos meus olhos e diz: -  Medo do que? de amar? Talvez sim, talvez ele razão e em tão pouco tempo conheça tanto o meu coração. Aceno positivamente e olho pra baixo, ele entende que o assunto é sério, me puxa para a varanda e me mostra o mar.


- Tá vendo, esse mar? Você consegue enxergar o limite entre ele e o céu? Você percebe que não tem final e começo, não tem início e nem fim, são diferentes que juntos se alinham no horizonte, mas você nunca vai saber como e em que ponto se encontraram. Com o amor é assim mocinha! Os limites do mundo, nunca vão impedir que os amores se encontrem. Tá escrito por Deus, o que tiver que ser, será!


Penso em sorrir, mas derramo uma lágrima antes, quero um beijo, quero ele no paraíso, no caos urbano, no cotidiano. Quero ele e eu, eu e ele. Quero nós pra sempre. 



Nathalie Maia


Jornalista, produtora e social media - Seja bem-vindo ao nosso infinito!

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Tati :
 Maravilhosaaaa
Kaká :
 Texto lindo, me transportou para a história como se estivesse vivendo esse momento! 😍
Priscila :
 LINDO!!!! Viajei na história!!
MILENE :
 ESTE TEXTO É DEMAIS!!!

Nathalie Maia


Jornalista por formação e contadora de histórias por vocação. São raros os dias em que um bom enredo não passa na sua cabeça. Apaixonada por um bom roteiro, de fi...

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