14
Fev , 2017

Ao tempo que é nosso


Categoria: Textos
Como ser mais especial?

Levanto a taça que ele gentilmente me entregou. Olho nos olhos cor de âmbar que tanto balançam o meu coração. 


Sorrio. E pergunto: ao que mesmo que vamos brindar?


Ele sorri um pouco mais e responde:


- Ao tempo, ao nosso tempo!


Quatro anos, três meses e dezessete dias. E se alguém disser que contei, vou dizer que é mentira.  E eu finalmente estava aqui, suspirei enquanto ele se servia de mais um pouco de espumante. Estava mais maduro, e tinha uma barba (deve ter alguma relação para os homens não, é mesmo?). Estava menos ansioso, ou pelo menos esta disfarçando muito bem, tinha uns quilinhos a mais, umas covinhas a menos, para mim continuava perfeito. 


Não sabíamos ainda o que falar, talvez ainda fosse cedo para chorar, mas minhas teimosas lágrimas insistiram em se apresentar. Ele toca minha mão e entende o que se passa no meu coração. Eu escolhi o deixar, e agora não sei por onde começar. 


Éramos tão novos, jovens e populares, cheios de olhares. Ele veio no combo primeiro tudo, primeira paixão, primeiro amor, primeiro beijo, primeira noite... primeira despedida.  Consigo fechar os olhos e lembrar a dor desse dia, um sonho, um oceano e uma separação. Discutimos tanto até entender que não tinha mais o que fazer. Muito choro no aeroporto, muita dor segurando aquelas lágrimas. A certeza de que não era um “até logo”, era um “adeus” mesmo.


 Só Deus sabe quantas lágrimas derramei naquele minúsculo quartinho de faculdade, temi não ter mais lençóis de tão desgastados que ficaram. Estudei muito para esquecer, aprendi muito para não sofrer. Eu apaguei tudo que me fizesse lembrar, apaguei os recados, as fotos, joguei fora os poucos presentes que levei comigo. Esqueci que seria muito difícil arrancar tudo aqui de dentro.


Nossas famílias diziam que éramos loucos, e logo tudo se encaixaria. Eu tinha certeza que nada em breve aconteceria.


Olho pra ele de novo, nem acredito que estamos aqui. Ele olha fundo nos meus olhos e como sempre percebe o que tem dentro de mim. Ele puxa a cadeira ao meu lado, segura minha mão e interroga.


- Você acha que é possível?


Quero dizer que sim, e soltar todas as lágrimas aqui de dentro. Mas insisto em ser racional, alguém tem que ser depois de tanto tempo.


 - Não sei, mudamos então...talve...


- Bom, eu não sei você, mas eu mudei pra bem melhor mesmo. Ele me interrompe, com o bom humor característico e arrancando risadas nervosas naquele momento.


- Bom, se você diz. Eu acredito.


Ele me puxa e segura uma mecha do meu cabelo, segura firme e forte minha mão, se aproxima, pede permissão e nem espera a minha resposta. Me beija, me segura, me toma.


Eu continuo achando irracional, continuo sem entender ou saber se o que ainda sinto é normal. 


Mas ao contrário do que penso, me entrego e esqueço do tempo, afinal se ele é tão especial, que continue nosso. Que seja eternamente nosso! 


Continua...


 



Nathalie Maia


Jornalista, produtora e social media - Seja bem-vindo ao nosso infinito!

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Nathalie Maia


Jornalista por formação e contadora de histórias por vocação. São raros os dias em que um bom enredo não passa na sua cabeça. Apaixonada por um bom roteiro, de fi...

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