16
Abr , 2017

Conversas de um pequeno universo


Categoria: Textos
E quando você só quer encarar e arriscar

O celular apitava mais uma vez naquela noite, já estava virando rotina eu a minha coberta, a caneca de chá ao lado do abajur ligado e meu celular apoiado nas pernas. Solto outra gargalhada, e coloco a mão na boca para me conter, já são 3h da madrugada e eu vou acabar acordando a casa toda. Eu começo a responder imediatamente, incrível como qualquer joguinho nunca funcionou com a gente. Sem medo dos riscos azuis, sem esperar dias para responder. Sem problemas dizer – Ei, eu to aqui e te vendo online pode tratar de me responder?”. Vamos combinar, foi assim desde o inicio.  Quando você chegou naquele aniversário, sentou do meu lado e disse: - “eu pedi seu telefone para o Rodrigo, mas ele não quer me passar, então só resta vir aqui mesmo e pegar.” A festa mal tinha começado, e agora eu entendo porque nossos amigos só te chamam de afobado. 


Conversamos a noite toda, rimos da Andreia feliz, da Rebeca bêbada, fugimos do André pegajoso e passamos a festa toda colados, como se nos conhecêssemos há muito tempo no passado. Você não tentou nem me beijar naquele dia, e confesso ter ficado frustrada e pensado que nada mais aconteceria. E que engano meu não é mesmo? Uma semana se passou, você viajando a trabalho, eu com TCC da pós acumulado, nós dois um aplicativo de mensagens e uma noite inteira pra contar sobre o que esperar. Eu sei, nós conversamos durante o dia, mas é a noite no silêncio da madrugada, que a gente sempre se rendia. 


Você contou sobre seus últimos relacionamentos, e eu contei todos os meus traumas e tormentos. Falamos sobre traição e paixão, sobre o jogo do Barcelona, Isis Valverde na novela, a lista da Odebrecht. Conheci sua família por fotos, meu sogro e minha sogra (você que escreveu assim na legenda), cunhada, sobrinho e o Botu cachorrinho. Eu te contei sobre meus pais, minha irmã e todos a minha volta. Falamos sobre Engenharia e futuro, sobre o Trump e sobre a vencedora do BBB. É ninguém pode dizer que nosso repertório não é vasto e eclético. Estou vendo, ouvindo e lendo sobre seus gostos nos últimos dias, já aprendi que você detesta acordar cedo, odeia brócolis e ama café amargo. Já te falei o quanto amo comida japonesa, que mal sei fritar um ovo, e que sonho em conhecer Londres. Estamos assim divididos entre o seu e o meu mundo, e criando nosso pequeno universo particular, tão pequeno e curto tempo, diante da imensidão de dias que nos esperam.


Eu, sinceramente ainda não sei que expectativas criar, e confesso que estremeci sabendo que faltam só dois dias para você voltar, você abalou meu pequeno mundo e agora tudo que eu mais quero é te ver, esperar e arriscar.



Nathalie Maia


Jornalista, produtora e social media - Seja bem-vindo ao nosso infinito!

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Nathalie Maia


Jornalista por formação e contadora de histórias por vocação. São raros os dias em que um bom enredo não passa na sua cabeça. Apaixonada por um bom roteiro, de fi...

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