17
Fev , 2018

Na escola do amor


Categoria: Nosso Infinito
Qual a sua nota final?

Eu sempre fui a primeira da classe, uma mistura de CDF do passado com nerd dos tempos atuais. Uma aluna com caderno em dia, livros devidamente encapados e nome devidamente reconhecido no quadro do mural da escola. Era uma honraria do meu colégio pelo mérito de desenvolver todas as atividades. Eu era a “sabichona” aquela que sabia recitar os versos de Drummond, que conhecia todos os governos de Getulio, e os relevos do Brasil. E na necessidade de saber sobre tudo, eu achei que também conhecia todos os meus sentimentos. “Só vou me apaixonar quando eu quiser”, vou beijar aos 15, me formar aos 25, casar aos 28 e ter filhos perto dos 30. O que eu não sabia, é que na escola da vida, a primeira reprovação estava mais perto do que eu imaginava. Quase nada aconteceu como planejei, e eu errei muito mais do que acertei. Quando entendi que o mundo era bem maior do que uma classe de 40 lugares, sofri por ter que me relacionar com tanta gente diferente. Por muitas vezes não soube responder um bom dia, um aceno ou um pedido bem na minha frente. O choro de um amor não correspondido é bem maior do que uma nota vermelha na prova de matemática. E as descobertas surgiram, uma atrás da outra, assim como as decepções também. Hoje eu me pergunto onde estão os professores de sentimentos? Seria tão difícil incluir uma matéria junto ao abecedário? Alguém que ensinasse sobre o amor e tristeza, solidão e saudade, sofrimento e perdas?


Difícil não.


Praticamente impossível.


Não há cartilhas, manuais e decorebas que salvem um coração apaixonado, abandonado ou solitário. Há só a vida, uma longa jornada de decisões, tropeços e aprendizados. E eu erro tantas, mas tantas vezes em relação aos meus sentimentos, que estaria sempre com o boletim vermelho.


Deve ser por isso que usam a cor do coração para representar uma nota baixa. É uma preparação para o futuro, onde na escola do amor, no fundo somos quase todos sempre repetentes.



Nathalie Maia


Jornalista, produtora e social media - Seja bem-vindo ao nosso infinito!

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Nathalie Maia


Jornalista por formação e contadora de histórias por vocação. São raros os dias em que um bom enredo não passa na sua cabeça. Apaixonada por um bom roteiro, de fi...

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