27
Fev , 2018

Os delírios de Ana Julia


Categoria: Nosso Infinito
Correr ou encarar?

Eu não sei onde eu estava com a cabeça, grudada no pescoço é bem verdade que parece que ela esta. Raciocinando? Bom, eu acho que nem tanto. É fato que meus neurônios não trabalham bem sob pressão, ou quer dizer, sobre qualquer coisa, ou pessoa que se aproxime, se for alto, loiro, de olhos azuis, e o estudante mais cobiçado da sétima série então? Você não deve estar entendo nada, não é mesmo? Mas eu avisei que eu não estou no meu juízo perfeito, a culpa é sua que continua lendo esse texto sem saber quem é essa maluca. Eu sinto meu pé arder, essa sapatilha de ballet não é mesmo adequada para correr oito quadras raspando no asfalto. Eu só quero chegar em casa, deitar na minha cama e esquecer esse momento desastroso da minha vida. Eu nunca imaginei que o Matheus, (o dono das covinhas que faz todas as meninas da minha sala suspirarem pelos cantos) viria até mim, para se declarar. Aliás, eu nunca pensei sobre isso. É bem verdade que com as aulas de dança nos aproximamos e ficamos amigos, mas é verdade também que eu pouco penso sobre isso. A maioria das minhas amigas já beijou ou se apaixonou, nem que seja aquelas paixões platônicas pelo cantor da TV, mas eu nem isso consegui sentir. Eu sei que esse assunto é bem comum na minha idade, mas vou ser bem sincera com você eu fujo mais dele do que vampiro de alho. Agora estou aqui, contando pacientemente os números no elevador, o décimo segundo andar nunca esteve tão longe, e eu penso que não tenho com quem desabafar. Se minha mãe tivesse aqui pelo menos, ela poderia me dar colo, fazer um brigadeiro e rir do meu desespero: “correr quando o menino mais bonito da escola se declara, sem drama Ana Julia, nem é tão ruim assim”. Ruim não Era péssimo Eu acabei de enturmar graças as aulas da dança, agora que consegui fazer amigos já vivo minha primeira catástrofe amorosa. Finalmente chego no meu andar, e tento abrir a porta, bato e aperto a campainha. Eu não sei qual é o problema do meu pai me dar uma cópia da chave de casa. Ele diz que é muita responsabilidade, mas o que ele acha? Que eu vou trocar a chave por pirulitos? Não tem ninguém em casa Ninguém em casa? Qual é o problema com o mundo? Hoje ele resolveu virar de ponta cabeça? Confiro meu celular sem bateria, e sento na porta – o jeito é fechar os olhos e tentar apagar as imagens da minha memória. Não ele não disse que gostava de você, não pegou a sua mão e circulou um coração. Você também não ficou muda e reta como uma múmia e saiu correndo depois. Eu aperto os olhos, e repito comigo mesma, nada disso aconteceu, foi só um grande delírio meu.



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Nathalie Maia


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Nathalie Maia


Jornalista por formação e contadora de histórias por vocação. São raros os dias em que um bom enredo não passa na sua cabeça. Apaixonada por um bom roteiro, de fi...

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