6
Mar , 2018

Os delírios de Ana Julia


Categoria: Nosso Infinito
O grande baile

Eu olhei no espelho e não me reconheci muito bem. É verdade que não estou feia, mas vou ser sincera que bonita mesmo eu nunca me achei. Eu não sei onde eu estava com a cabeça para aceitar essa doidera de festa de 15 anos, real que isso ainda existe?



Meu pai e minha avó insistiram, e não satisfeitos com as indiretas por meses, ainda usaram o nome da minha mãezinha pra dizer: ela ficaria feliz por comemorar seu aniversário! Que golpe baixo hein Dr. Ricardo? Eu nunca entendi essa necessidade de gravar os 15 anos, qual a diferença entre fazer 13 ou 15? Só se faz qualquer idade uma vez na vida mesmo. Ah, mas dizem por ai que é a idade em que menina vira mulher ou é apresentada a sociedade, que breguice hein? Eu realmente sempre achei que parece que fazer 15 anos era uma obrigação, uma marca, tipo marcar um gado sabe? Vamos etiquetar essa menina que agora ela já tem 15! Me poupe!



Eu mesmo assim aceitei tudo isso, é bem verdade que eu só aceitei com uma condição: fugir do tradicional, nada de vestido longo de princesa, nada de bolo com andares, nada de tiara na cabeça, e pela amor de Deus, definitivamente – nada de rosa! E sem bolo vivo também, eu nem consigo ter 15 amigos verdadeiros juntos, meninos e meninas, que dirá 30 “ser-humaninhos” da mesma idade.



Eu consegui me “safar” de tudo com destreza, ponto pra mim e pra cada cara feia que eu fazia quando a organizadora se aproximava com algum clichê imperdível. Mas nem só de vitorias se vive a vida não é mesmo Ana Julia?
Meu pai não abria mão da dança. Ah não, porque Deus?
Não que eu tenha vergonha de dançar, meu bem, eu sou a primeira bailarina da escola, e muito menos vergonha do meu pai, porque eu tenho todo amor do mundo por ele. É só o fervor que já sobe no meu corpo, ao perceber que todas as pessoas estarão olhando pra gente.



Mas eu sou sua única filha, e decidi fazer as honras para o Sr. Rabugento Ricardo, mas convenci que não dançaríamos uma valsa convencional, e para homenagear minha mãe onde quer que ela esteja, dançaríamos Ana Julia – sim, a dos Los Hermanos mesmo, em uma versão acústica e pronta, minha mãe como uma grande fã (se vocês não perceberam pelo meu nome ainda), tinha vários e vários CDS e um dia vasculhando seus tesouros intocáveis achei essa versão bonitinha.


Nem foi tão difícil convencer papai, ele não é tão duro na queda assim.
Olho pelo espelho de novo, o meu vestido preto com a faixa azul acentuada, é hora de enfrentar, quando vejo meu pai e minha avó chegando e os olhares cheios de felicidade, percebo que não é hora de reclamar, é hora de sorrir e agradecer, mas depois de meses de preparação, é hora de rodopiar pelo salão, eu não queria essa festa, mas vê-los felizes é tudo que eu mais precisava!



Nathalie Maia


Jornalista, produtora e social media - Seja bem-vindo ao nosso infinito!

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Nathalie Maia


Jornalista por formação e contadora de histórias por vocação. São raros os dias em que um bom enredo não passa na sua cabeça. Apaixonada por um bom roteiro, de fi...

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